O Fato: O cibercrime opera hoje sob o modelo de Ransomware-as-a-Service (RaaS). Grupos estruturados possuem metas de faturamento, departamentos de desenvolvimento e foco exclusivo em rendimento operacional.
O Impacto: O ataque moderno destrói os backups antes de criptografar o ambiente de produção. Se a recuperação exigir dias, o custo da paralisação superará o valor do resgate.

A estrutura atual do cibercrime simula uma corporação legítima. Um estudo recente do FortiGuard Labs indica o uso ampliado de IA, automação e especialização por parte dos atacantes, resultando em uma redução drástica do tempo entre a intrusão e o impacto real.
O objetivo financeiro dessa indústria força uma mudança tática: o sequestro de dados estáticos tornou-se insuficiente. O alvo agora é anular qualquer tentativa de recuperação de desastres da vítima antes mesmo que o alerta de segurança soe.
Neste cenário industrial, a segurança da informação exige critérios técnicos superiores ao armazenamento simples de arquivos. Estratégias baseadas em cópias locais sem isolamento lógico ou scripts manuais falham contra invasores que possuem credenciais administrativas.
A mecânica operacional do Ransomware-as-a-Service (RaaS)
O modelo RaaS democratizou o acesso a ferramentas de ataque sofisticadas. Com isso, a divisão de tarefas entre os operadores do malware e os executores da invasão aumentou a frequência e a complexidade dos incidentes. Atualmente, a tática padrão segue um roteiro de ‘Extorsão Dupla’ ou ‘Tripla’, projetado especificamente para eliminar as opções de defesa da empresa vítima.
As etapas técnicas do ataque moderno
- Acesso Inicial e Movimentação Lateral: O invasor obtém acesso à rede, frequentemente via credenciais comprometidas ou vulnerabilidades não corrigidas. Ele permanece no ambiente para mapear a infraestrutura crítica.
- Identificação e Neutralização do Backup: O malware varre a rede em busca de repositórios de armazenamento e servidores de backup. O invasor utiliza credenciais privilegiadas para deletar volumes, corromper índices ou criptografar os arquivos de recuperação.
- Exfiltração de Dados: Informações sensíveis são copiadas para servidores externos. Isso serve como garantia de chantagem caso a empresa consiga recuperar seus sistemas tecnicamente.
- Criptografia do Ambiente de Produção: Com os backups inutilizados e os dados roubados, o ransomware bloqueia os servidores de aplicação e bancos de dados.
A eliminação prévia do backup remove a capacidade da empresa de restaurar o ambiente sem pagamento. Dessa forma, se o repositório de backup estiver acessível via rede padrão (SMB/NFS) sem imutabilidade, a perda dos dados de recuperação é uma consequência direta da arquitetura de rede insegura.
Análise financeira da paralisação operacional
A decisão de investimento em proteção deve basear-se no custo da inatividade. O valor do resgate é apenas uma fração do prejuízo total. O cálculo real envolve o tempo em que a empresa permanece incapaz de faturar ou operar.
Considere uma paralisação de 72 horas em uma operação média. As perdas acumulam-se em quatro frentes:
- Receita Direta: Vendas não realizadas, serviços não prestados e contratos suspensos.
- Custos Operacionais Fixos: A folha de pagamento, aluguel e infraestrutura continuam gerando despesas enquanto a produtividade é nula.
- Passivo Jurídico e Regulatório: A LGPD impõe sanções para a indisponibilidade de dados pessoais e falta de notificação, independentemente do pagamento do resgate.
- Ativos Intangíveis: A reputação da marca sofre degradação imediata perante clientes que dependem dos serviços interrompidos.
A existência de arquivos de backup (dados frios) não mitiga esse prejuízo se o processo de restauração for lento. A recuperação de desastres ransomware depende da velocidade de retorno à operação (RTO), e não apenas da integridade dos bytes armazenados.
RPO e RTO: métricas mandatórias para serviços gerenciados
A eficácia de um plano de continuidade é mensurável através de dois indicadores técnicos. A definição destes parâmetros orienta a arquitetura da solução de serviços gerenciados.
Recovery Point Objective (RPO)
Este indicador define a tolerância à perda de dados. Ele determina a frequência das cópias de segurança. Um backup realizado uma vez ao dia (ex: 00:00) implica que um ataque ocorrido às 17:00 resultará na perda de 17 horas de transações, documentos e registros. Empresas com alta rotatividade de dados exigem RPOs de minutos ou poucas horas para manter a viabilidade financeira após o incidente.
Recovery Time Objective (RTO)
Este indicador define o tempo máximo admissível para a interrupção dos sistemas. Para isso, ele engloba o tempo de detecção, diagnóstico e restauração. No entanto, em cenários onde o volume de dados ultrapassa terabytes, o download de um backup em nuvem convencional pode levar dias devido às limitações de banda. Portanto, um RTO de dias é incompatível com a continuidade de negócios em 2026, visto que a exigência de mercado demanda recuperação em minutos.
➡️ Entenda a diferença de RPO e RTO e sua importância na estratégia de backup
Critérios técnicos de defesa: Imutabilidade e Disaster Recovery
A arquitetura de proteção deve responder à capacidade do atacante de comprometer credenciais administrativas. A tecnologia deve impedir a destruição dos dados mesmo quando o invasor possui acesso privilegiado.
Imutabilidade (WORM)
O backup corporativo confiável utiliza a tecnologia Write Once, Read Many (WORM). Esta funcionalidade bloqueia a alteração ou deleção dos arquivos de backup por um período pré-definido. A instrução de exclusão enviada por um administrador comprometido ou por um script malicioso é rejeitada pelo sistema de armazenamento ao nível do kernel ou da API. A imutabilidade garante que uma cópia íntegra dos dados sobreviva ao ataque inicial.
Diferenciação funcional entre Backup e Disaster Recovery (DR)
O backup preserva a informação. O DR preserva a operação.
- Backup: Restaura arquivos ou máquinas virtuais para o hardware original ou novo. O processo depende da velocidade de transferência de dados e da disponibilidade de hardware físico funcional.
- Disaster Recovery: Disponibiliza a infraestrutura de processamento. Soluções modernas de Disaster Recovery permitem o failover (comutação) para um ambiente virtual em nuvem.
A tecnologia de proteção de dados Acronis, utilizada pela Pronnus, integra essas funções. Ela permite que servidores críticos sejam iniciados diretamente a partir do repositório de backup em nuvem. Isso reduz o RTO de dias para minutos, pois elimina a necessidade de transferência completa dos dados antes da retomada do serviço.
Defesa ativa e detecção comportamental
A recuperação é, de fato, a última linha de defesa. Por isso, as camadas anteriores devem atuar para interromper o ataque em andamento. Ocorre que ferramentas legadas baseadas em assinatura de vírus são ineficazes contra malwares zero-day ou ataques que utilizam ferramentas nativas do sistema.
Soluções de EDR com resposta automatizada analisam o comportamento dos processos em execução. Ações como a renomeação em massa de arquivos ou a injeção de código em processos legítimos disparam bloqueios automáticos.
A tecnologia Acronis Active Protection exemplifica essa abordagem ao monitorar especificamente os processos que tentam interagir com os arquivos de backup ou com o agente de proteção. Dessa forma, ao detectar atividade de criptografia não autorizada, o sistema encerra o processo malicioso. Em seguida, a ferramenta reverte as alterações nos arquivos afetados utilizando cache local, o que garante a integridade dos dados sem a necessidade de uma restauração completa.
Gestão de Vulnerabilidades e redução da superfície de ataque
O sucesso do RaaS depende da existência de portas de entrada. Falhas em softwares não atualizados e configurações inseguras de acesso remoto (RDP) constituem os vetores de entrada mais comuns.
A gestão de vulnerabilidades as a service atua preventivamente mapeando e corrigindo essas brechas. Nesse sentido, o inventário contínuo de ativos de TI e a aplicação automatizada de patches de segurança reduzem a superfície disponível para o ataque. Além disso, a combinação de hardening (fortalecimento) do ambiente com uma estratégia de backup imutável cria barreiras em múltiplas etapas da Kill Chain do cibercrime.
Validação da estratégia de continuidade
A única forma de garantir o cumprimento dos RPOs e RTOs estabelecidos é através de testes recorrentes. Planos de recuperação teóricos falham durante crises reais devido a mudanças na infraestrutura, senhas expiradas ou dependências técnicas não documentadas.
A validação periódica do failover comprova a capacidade da empresa de resistir a um incidente de cibersegurança industrializado. O teste de recuperação transforma a hipótese de segurança em um fato técnico auditável.

A Pronnus executa simulações controladas para mensurar o tempo real de recuperação da sua infraestrutura. Agende um teste de recuperação de desastres e obtenha um relatório técnico das suas vulnerabilidades de continuidade.




